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Os robôs

\UTC\07 9 \09\UTC julho \09\UTC 2009
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ATENÇÃO, ESTE ARTIGO CONTÉM SPOILERS!
Definitivamente, Wall-E não é um filme para crianças, apesar de ser animação. As que assistirem fatalmente não entenderão boa parte da história e a grande maioria certamente não achará a menor graça.
O filme traz críticas ao modo desenfreado como consumimos sem pensar no futuro, toda essa coisa de aquecimento global e desenvolvimento sustentável que agora está tão presente nos discursos politicamente corretos. Mas, ao contrário do que pode-se esperar, cai pouco nesse lugar comum. Prefere dar um cutucãozinho nas pessoas para que elas comecem a pensar nas conseqüências que tudo isso traz. Outras críticas também o pontuam, a saber: a virtualização das pessoas, que muitas vezes não percebem o mundo real; o resgate de valores perdidos; a digitalização do mundo em oposição ao analógico.
Para os cinéfilos e leitores assíduos, Wall-E reserva grandes surpresas. Ao longo da história é possível perceber várias referências a clássicos. 2001: Uma Odisséia no Espaço é o que tem o maior número: a missão robotizada; o computador da nave que se vira contra a missão (não se lembrou de HAL-9000?); a valsa e as entradas das naves na nave mãe; a forma da sonda em que Wall-E é ejetado na nave mãe; enfim. De Blade Runner – O Caçador de Andróides marcam presença: a propaganda em telas e a preseguição dos robôs (também marca de Inteligência Artificial).
Partindo para o lado da literatura, a referência mais marcante se dá sobre Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. Quem leu a obra logo de cara identifica o sistema de castas (humanos que consomem x robôs servos que produzem); o sistema de bem estar, de fazer as pessoas se sentirem felizes; a Terra como a ilha desconhecida; o condicionamento dos bebês; entre outras.
De outra obra, 1984, de George Orwell, a referência talvez seja mais sutil. As pessoas acreditam piamente nas informações do sistema da nave mãe e do comandante, que geram os boletins diários, as induzem a trocar a cor das roupas, entre outras. No livro, as pessoas igualmente acreditam nos boletins do Grande Irmão, nas constantes mudanças de lado na guerra, nas previsões, não percebem a reescrita da História…
Mas como estamos em um filme da Disney, é inevitável a presença do casal protagonista bonitinho – que cativa muito -, do mascote engraçadinho, do final feliz, da lição de moral, enfim. Diminui um pouco o filme, sem dúvida, mas é um arranhãozinho, um acidente de percurso.
No entanto, o maior acerto do filme se dá na quase ausência de falas, algo inexistente nos filmes comerciais atuais. Dá pra dizer muito falando pouco.

Título em português: Wall-E
Título original: Wall-E
Ano: 2008
País: Estados Unidos
Direção: Andrew Stanton

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